Entrevista com Thomás Lauda: Conheça um pouco do campeão da K2

Thomás Lauda vence mais umaThomás Lauda vence mais uma

Andando pelo kartódromo de Volta Redonda,quando a K2 está na pista, a pergunta é recorrente: quem é o 2º colocado? Qualquer pessoa desavisada vai achar estranho, mas quem participa do clube vai saber responder de bate-pronto: Lauda está na liderança.

E assim foi o ano todo. Mesmo com a adoção do grid invertido, Lauda conquistou um aproveitamento fantástico, obtendo, até agora, 9 medalhas em 10 possíveis. E engana-se quem pensa que o mesmo já esteja no kartismo há muito tempo. Isso é fruto de muito foco do nosso piloto, como vocês podem conferir na entrevista abaixo:

Lauda, quais as suas expectativas para a K1 no ano que vem? Você acha que irá conquistar a tríplice coroa (Summer/Winter/Anual) em 2018?
Pergunta enviada pelo piloto da K1, Sidney Prost

– Então, eu acho que a K1 em 2018 será extremamente competitiva. Nós já temos pilotos muito bons lá, bem rápidos e que evoluíram no ano de 2017. Tenho certeza que teremos muitas disputas limpas e acirradas. Inclusive, estou até bem ansioso para isso acontecer pois, desde que eu entrei para o Karburados a minha intenção sempre foi competir com os caras da K1! Estou muito feliz com os meus resultados na K2 e espero estar na K1 no ano que vem pra competir com essa galera.
(NOTA: com os resultados do último KKW, Lauda já está matematicamente com a vaga assegurada para a K1).

Com relação à tríplice coroa, isso é complicado dizer pois dependemos de vários fatores, como o sorteio dos karts. Mas pode ter certeza que estarei de corpo e alma, como estive esse ano de 2017 na K2, tentando o meu melhor, com toda a minha técnica e força de vontade e, dentro das regras, claro.

Thomás, com o campeonato assegurado matematicamente, como você pretende correr nas duas últimas etapas? Só administrando e observando ou vai manter o pé em baixo e ir pra cima?
Pergunta feita pelo piloto da K2, Erikson De Angelis

– Bom, não cheguei a fazer os cálculos, mas acredito sim que minha vaga esteja garantida ano que vem. (Devido ao excelente aproveitamento na K2 esse ano, Lauda conseguiu 9 medalhas em 10 corridas já realizadas: 7 de ouro, 1 de prata e 1 de bronze). Nesse caso, nessas duas últimas corridas de 2017, o meu foco será partir pra cima, acelerar o máximo e tentar conseguir uma coisa que nenhum outro piloto conseguiu fazer no Karburados, que é ultrapassar a marca de 300 pontos no campeonato anual em alguma categoria. Se tudo der certo, conseguiremos a Summer, a Winter, o anual, o campeonato global de equipes e equipes da K2. Então, eu preciso pontuar bem para conquistar, junto com os meus companheiros, o objetivo, que é ser campeão.

Comemorando mais uma vitória

Existe algum outro esporte que você pratica? Se sim, se ele tem desenvoltura como no kart, ou é mero coadjuvante?!
Pergunta enviada pelo piloto da K2, Renan Alesi

– No caso, por trabalhar bastante, não pratico nenhum outro esporte. Na verdade, eu tento manter o foco na melhora da minha pilotagem, de um modo geral, com muita prática para tentar melhorar o meu rendimento dentro do kart. Inclusive, não havia encontrado nenhum outro esporte que me trouxesse tamanha felicidade e satisfação quanto andar de kart.

Lauda, aproveitando sua experiência, o que você acha do nível dos pilotos do Karburados?
Pergunta feita pelo piloto da K1, Durra Clark

– Então, referente ao nível dos pilotos do Karburados, nem sou tão experiente assim. Mas, pelo o que eu vejo por ai, participando de outros campeonatos é que temos um grupo de nível médio. Temos duas categorias, a K2 e a K1 mas, juntando as duas, seria um grupo de categoria média. Temos muito o que ajustar ainda, temos alguns pilotos que são bem rápidos e bem técnicos e isso eleva a média do grupo. Mas, de uma forma geral, o nível ainda é mediano, os pilotos ainda têm muita coisa pra aprender e eu me incluo nesse hall de pilotos. O grupo é muito organizado, um piloto vai puxando o outro, teve um crescimento nesse ano muito bacana. A K2 tem uma diferença entre os pilotos considerável mas a K1 está mais equilibrada. Resumindo, o grupo está pra mim, de médio pra bom.

Primeira vez em um kart, início de 2015

Lauda, conte um pouco como começou essa paixão pelo kartismo.
Pergunta feita pelo piloto da K1, Durra Clark.

– Então, essa paixão pelo kartismo nem eu sei bem de onde saiu. Eu mesmo nunca me interessei, quando garoto, a ficar jogando videogame de carros, nunca fui aquele garoto que ficava vidrado nisso. Nunca fui de correr com carro, nem nada.
Uma vez ou outra, eu acompanhava uma corrida de Fórmula 1 com o meu pai, mas nunca achei muita graça, por incrível que pareça, em assistir o esporte. Porém, quando eu recebi um convite no início de 2015 para andar em um kartódromo de shopping, eu falei “ah, então vamos lá, né, vamos brincar, eu já sei dirigir carro!”. E ai, eu tomei uma “NABA”, uma coça do próprio kart. Não foi nem dos pilotos que estavam na bateria, foi eu perdendo contra eu mesmo, contra o meu próprio kart. Não sabia nada de pilotagem foi uma verdadeira tragédia, foi horrível! Fiquei em último e pensei: “não levo jeito mesmo pra isso”. E nisso, mesmo eu ficando em último, a sensação de pilotar foi incrível, eu criei uma curiosidade em saber como funcionava o kart, comecei a me dedicar e me apaixonei de uma maneira que nunca havia me apaixonado por nada na minha vida. E ai, começou o treinamento, a dedicação e a paixão só aumentou. Nós temos altos e baixos mas quando gostamos realmente do que fazemos, não desistimos. A ideia é sempre continuar a evoluir. Mas foi realmente um achado, comecei no kartismo bem tarde mas estou bem feliz de ter encontrado esse esporte.


Para finalizar, qual mensagem você deixaria para as pessoas que desejam iniciar no kartismo.
Pergunta feita pelo piloto da K1, Durra Clark.

– Pra finalizar, a mensagem que eu gostaria de deixar seria que vale a pena experimentar o kart, ele é diferente de qualquer outra coisa que você já pilotou, ele tem uma resposta única e traz um prazer indescritível. Acho que tem coisas na vida que não conseguimos explicar, só fazendo mesmo. E tem que experimentar, como eu fiz. Não fazia ideia que descobriria uma paixão ou um talento, não sei ao certo… Me arrependo de não ter descoberto o esporte antes. Um esporte que é um verdadeiro professor: ensina a perder, ensina a ter disciplina, ensina a correr atrás, ter foco, concentração, a não desistir…E que traz ensinamentos que utilizamos para tudo na vida. Não importa a idade, tem que experimentar.

(…) Um esporte que é um verdadeiro professor: ensina a perder, ensina a ter disciplina, ensina a correr atrás, ter foco, concentração, a não desistir…
Thomás Lauda
– por Durra Clark | jornalista KSN